Na Luz, empatar não chega (onde se fala dos jogos que faltam para o fim da Liga)

Não creio que Vítor Pereira ou os nossos jogadores leiam o Bitri, mas ainda assim cá vai o aviso.

Empatar na Luz é muito perigoso. Primeiro, porque o empate mantém as duas equipas no topo com o mesmo número de pontos. E se no final continuarem empatadas, valem os confrontos directos. E se nos lembrarmos que o Benfica empatou 2-2 no Dragão, o empate na Luz teria de ser pelo menos a 3 bolas.

Depois, há a questão do calendário. O FC do Porto tem ainda pela frente, nas jornadas que faltam, deslocações muito difíceis, sobretudo as idas a Braga e à Madeira (Marítimo e Nacional). É de supor que nesses jogos se percam pontos. Em casa, temos na penúltima jornada a recepção ao Sporting, que poderá causar problemas, mesmo se por essa altura os «leões» estiverem a ser dirigidos interinamente por alguém da casa depois de Sá Pinto ter esbofeteado dois dirigentes, três jogadores e quatro adeptos. Quanto ao Benfica, recebe o Braga e vai a Alvalade. Não tem outros jogos de especial dificuldade.

Com uma vitória na Luz e 3 pontos de avanço – e consequente vantagem no confronto directo – a porta do título ficaria escancarada. Até ao fim, sem outras preocupações a nível de calendário, seria a componente psicológica e motivacional a funcionar mais do que tudo o resto.

É difícil? É, mas não é impossível, até porque me parece que as últimas duas jornadas deram uma machadada forte no optimismo dos nossos adversários. Não sei se estão em curva descendente. Mas sei que, há 15 dias, a previsão era que no fim do jogo da Luz o FC do Porto estaria a 8 pontos do primeiro e teria de discutir com o Braga o segundo lugar. Afinal, se ganharmos na Luz, o Braga pode chegar aos 49 pontos que o Benfica tem hoje.

 

 

Um FC Porto – Feirense de tempos idos (1990)

A 1 de Abril de 1990, o FC do Porto recebeu o Feirense em jogo da 26ª jornada do Campeonato Nacional da I Divisão, época 1989/90. Numa altura em que tinha 3 pontos de avanço sobre o Benfica, o FC do Porto venceu tranquilamente por 3-1 e deu mais um passo para a conquista do título, numa prova que contava com 18 equipas e um total de 34 jornadas. O argelino Rabah Madjer marcou os 3 golos do jogo.

No final da época, o FC do Porto sagrou-se Campeão Nacional, sob o comando de Artur Jorge, e o Feirense desceu de divisão ao classificar-se em último lugar.

Pinto da Costa e as coincidências

O Filipe Caetano e o Hugo Ferreira já aqui destacaram a presença de Pinto da Costa ao lado de André Villas-Boas durante o último Manchester City – FC do Porto.

Sabendo-se, como se sabe, que para André Villas-Boas a contagem final já começou,  não parece de muito bom gosto o Presidente conviver alegremente com ele nas bancadas enquanto o nosso treinador, por si contratado no início da época, está a ver a vida a andar para trás. É que eu ainda sou do tempo em que Pinto da Costa se sentava no banco de suplentes em todos os jogos ou pelo menos quando queria dar um apoio expresso ao treinador. E não me venham falar de coincidências, acasos ou uma simples manifestação de amizade. Com o nosso Presidente, não costuma haver coisas dessas.

E como não perguntam, eu respondo: Não, não quero André Villas-Boas no FC do Porto na próxima época. Nem como primeira, segunda ou terceira opção. Villas-Boas é passado. Que venha o futuro.

 

O regresso da chapa 4

Os 4-0 de ontem contra o City constituiram apenas mais um episódio da saga a que estamos cada vez mais habituados nos últimos anos: a saga da chapa 4, por vezes 5. Senão vejamos: em 2007, foram 4 em Liverpool; em 2008, mais 4 no Arsenal; em 2010, mais 5 e de novo no Arsenal.

Para um clube da dimensão internacional do FC do Porto, é completamente inconcebível levar 4 ou 5 todos os anos. Pode acontecer uma vez por outra, mas não como sistema.

Se olharmos para o treinador em cada um desses jogos, veremos que foi sempre o mesmo, Jesualdo Ferreira, à excepção óbvia de Vítor Pereira. Ou seja, treinadores fracos, pouco mobilizadores, medrosos, que servem apenas para consumo interno ou nem isso. É certo que Jesualdo ganhou três títulos de Campeão Nacional, mas todos sabemos como foram as campanhas internacionais dessas épocas. E sabemos também que os nossos adversários, nomeadamente o Benfica, não estavam ao nível a que estão hoje.

Sendo assim, não é propriamente uma questão de mentalidade dos jogadores, do tipo «quando entram no avião já vão a perder». É que ainda na época passada ganhámos a Liga Europa com estes mesmos jogadores. Será uma questão de mentalidade, sim, mas que ultrapassa os atletas. É que não basta dizer «Somos Porto» para realmente o sermos.

Uma vitória tranquila

Em Setúbal, o normal é ganhar. Assim foi, desta vez com mais facilidade do que em outras ocasiões. Do pouco que vi, duas ou três notas:

– Janko começa a tornar-se um caso sério. Marca sempre e, desde que bem servido, está sempre lá. Ninguém o conhecia no Porto quando Falcão foi embora?

– Sapunaru titular de novo ao fim de demasiado tempo. Nunca percebi treinadores que fazem adaptações quando têm no plantel jogadores de raiz que já mostraram atributos.

– Hulk muito trapalhão e a errar muitos passes.

– Domínio total do princípio ao fim do jogo, com um meio-campo muito certinho – em 90 minutos, recuperou 35 bolas e acertou quase 85% dos passes.

– o Labreca, para meu espanto, na baliza do Setúbal – o guarda-redes que Scolari inventou, e que um dia quis comparar-se a Vítor Baía, está de regresso a Portugal. Nos últimos anos, passou pelo Bétis da II Divisão de Espanha (sendo que na última época nem sequer foi inscrito) e pelo Leicester, da II Liga Inglesa, onde foi despedido no final da época 2010/2011. Felizmente que Setúbal foi para ele a primeira escolha. Sabendo-se da sua vontade de regressar a Alvalade, ninguém diria que a sua preferência seria representar o último classificado da Liga portuguesa. Menos mal. Assim como assim, Ricardo já está habituado a divisões secundárias.

Um Setúbal – FC Porto de tempos idos (1986)

À partida para a penúltima jornada do Campeonato Nacional de 1985/86, o Benfica dependia apenas de si próprio para se sagrar Campeão. Tinha 3 pontos de avanço sobre o FC do Porto, que ia a Setúbal, e recebia em casa o Sporting. Fora um ano aziago para o FC do Porto, com lesões atrás de lesões, e a revalidação do título, alcançado de forma tão fácil na época anterior sob o comando de Artur Jorge, parecia agora uma miragem.

Só que o futebol é fértil em surpresas – por isso é futebol. Num golpe de teatro, o Benfica perdeu em casa por 2-1 e o FC do Porto foi ganhar a Setúbal por 1-0 com um golo lindíssimo de Paulo Futre.

Terminado o jogo do Bonfim, faltava terminar ainda o da Luz. Os jogadores esperaram no relvado, e quando se soube pela rádio que o Benfica perdera, começou a festa no relvado e nas bancadas.

O FC do Porto passava para a liderança do Campeonato e na semana seguinte, em casa com o Covilhã, em mais um jogo de sofrimento intenso, iria sagrar-se Bicampeão Nacional.

Foi em Setúbal. Há 26 anos. E hoje?

 

   


   

 

  

 

Nem o Mourinho…

No momento em que tantos atacam o treinador do FC do Porto, chegou a hora de alguém defendê-lo aqui no Bitri.

A verdade é que, pela mão de Vítor Pereira, o FC do Porto chegou pela primeira vez ests época às meias-finais da Taça da Liga. André Villas-Boas não o conseguiu, Jesualdo Ferreira também não, nem sequer José Mourinho. Que no tempo deste não existisse a competição é coisa de somenos.

Ainda dizem mal do homem…

O FC do Porto e o meu baú de recordações

 

Desde criança que comecei a frequentar o velhinho Estádio das Antas, aquele que foi durante muitos anos a minha segunda casa. Ali fui muitas vezes feliz, ali passei um dos dias mais tristes da minha vida, 3 de Abril de 1986, morte da minha avó. Foram lá pôr-me para não assistir ao drama que estava a acontecer em casa. E por lá fiquei o dia todo. Vi o treino da equipa de manhã, no final pedi autógrafos ao Madjer e ao Futre, fui almoçar ao restaurante da Piscina, vagueei pelo Pavilhão durante a tarde à espera que me fossem buscar.
– E a vovó, pai?
– Está a descansar, Ricardo.
Percebi. Não disse mais uma palavra.
É um dos muitos episódios que guardo na memória. Numa adolescência estranha, marcada pela solidão e pelo isolamento, o FC do Porto foi o meu grande amigo. Aquele que sempre me acompanhou, aquele que me permitia continuar a ser um miúdo relativamente normal. Inscrevi-me na claque, os «Dragões Azuis», que ocupavam a Arquibancada ao som do trompete do sr. Lourenço, o velho tipógrafo do «Comércio do Porto».
Lembro-me da minha primeira viagem com a claque. Foi a Braga, penso que em 1987. Deve ter sido a primeira vez que almocei no restaurante com alguém que não os meus pais. Lembro-me do FC do Porto – Dínamo de Kiev, o mais belo jogo de futebol que vi até hoje, quando um gigante que eu não conhecia pegou em mim ao colo no momento do segundo golo.
Na época seguinte, lembro-me de entrar para o Estádio às 6 da tarde para o jogo com o Real Madrid, que começava às 10. Um mês depois, chorei com a despedida do Madjer, num jogo contra o Penafiel em que levei pela primeira vez o meu sobrinho mais velho, o Gustavinho.
Afastei-me, porque os interesses passaram a ser outros, mas continuo a ver no FC do Porto um baú de imensas recordações. E quando penso no Porto, penso na minha vida. E quando penso no Porto, penso num clube que só é grande porque conseguiu vencer e ultrapassar adversários enormes ao longo de muitos anos. Quando penso no Porto, não consigo deixar de pensar em clubes como o Benfica e o Sporting. Sem eles, o Porto não seria nada. São eles que fazem a nossa grandeza, da mesma forma que nós contribuimos para a grandeza deles.
É por isso que nunca poderia ser anti-benfiquista ou anti-sportinguista. Claro que quero que percam. Claro que quero que o Porto ganhe. Mas só isso. Nunca poderia desejar o mal a dois clubes que, afinal, também fazem parte da minha vida. E de um baú imenso de recordações.

 

P. S – Este post é dedicado ao nosso colega e meu amigo Pedro Sousa.