Quinto jogo de preparação: FC Porto – Celta de Vigo


Desta vez não gostei do que vi. É verdade que só vi a segunda parte, mas pareceu-me uma equipa lenta, amorfa, sem soluções para ultrapassar equipas super-defensivas. A primeira parte, pelos vistos, foi melhor e o golo lindíssimo, mesmo tendo sido marcado em fora-de-jogo.
Dizem que são ainda os efeitos da digressão à América, mas a verdade é que este tipo de equipas, que põem o autocarro à frente da baliza, é o que há mais na Liga portuguesa.
Faltam 15 dias para a Supertaça e a equipa-base parece já estar encontrada. O que, a julgar pelo jogo de ontem, não sei se será grande coisa. Penso que Paulo Fonseca já o sabe, mas chegou a hora das grandes decisões. Titulares, emprestados e por aí fora. Quando formos a Londres, na próxima semana, convém que tudo fique decidido.

O enigmático caso do jornal «Record»


O jornal desportivo «Record» tem-se pautado, desde há muitos anos, por um anti-portismo militante que chega a atingir as raias do absurdo. Um anti-portismo que atingiu o auge com Rui Cartaxana, entretanto falecido, e que o director agora empossado, um jornalista manhoso que conhecemos de ginjeira, promete recuperar.
Confesso que não é algo que me preocupe muito. Leio apenas as capas do «Record» e a última vez que comprei o jornal deve ter sido em 1987 quando o FC Porto foi Campeão Europeu. Não me preocupa e, pelo contrário, dá-me um certo gozo. Cada uma das capas daquele jornal é como se fosse uma medalha para o nosso clube.
A questão aqui é outra. Sendo um periódico especializado, o «Record» tem obviamente um público-alvo muito mais reduzido do que teria se fosse uma publicação generalista. Até pode ter mais leitores, mas são apenas os leitores que gostam de futebol. Ora, o que ganha um jornal que se quer lucrativo em hostilizar de forma permanente e contínua uma fatia significativa do seu público-alvo?
Não sei se o anti-portismo vende muito, mas estou em crer que o portismo vende muito mais. Então, qual a razão que leva a que a cada passo o jornal demonstre o seu ódio pelo FC do Porto, mesmo quando nada está em causa a não ser um mero jogo particular?
Seja como for, já deu para ver ao que vem João Querido Manha. Começa mal, sim, e parafraseando a capa de hoje, pelos vistos as coisas continuam na mesma por aquelas bandas.

Quarto jogo de preparação: Milionarios – FC Porto

Continuo a dizer que os resultados são o menos importante nos jogos de preparação, mas é sempre mais agradável ganhar do que perder e logo por 4-0 frente a uma boa equipa. A horas impróprias para os portugueses e com condições desfavoráveis, o FC do Porto lá vai espalhando charme por terras colombianas – um mercado emergente que nos pode abrir portas importantes no futuro.
Danilo é o grande destaque do jogo de ontem – com os 3 golos que marcou, não poderia deixar de ser. O primeiro numa jogada individual em que, procurando novos espaços, arrancou para o centro do terreno e rematou à entrada da área; e os restantes em dois livres directos marcados de forma exemplar. Mas o melhor estava guardado para o fim e o golo de Jackson foi uma pequena obra de arte. Imperdível.
Paulo Fonseca fez alinhar uma equipa substancialmente diferente da que alinhou no último jogo, o que se compreende. Só que a fase das experiências está a acabar e o próximo jogo, em casa contra o Celta de Vigo, talvez seja a última oportunidade para fazê-lo.É natural que assim seja, até porque é o jogo de apresentação ao público do Dragão e convém dar a conhecer o máximo de jogadores do plantel.
A partir daí, é pôr a jogar o onze que vai defrontar o Guimarães na final da Supertaça. Pelo que se vai percebendo, Helton tem o lugar assegurado na baliza. Na defesa, Danilo e Alex Sandro são indiscutíveis nas laterais e, ao centro, aposto na dupla Otamendi – Mangala. No meio campo, é certo que Lucho vai começar a época numa posição diferente da que tem sido a sua, sendo que nas costas é muito provável que venha a ter Fernando e Defour, sendo que a qualquer momento Herrera – atrasado em relação aos colegas – poderá conquistar o lugar que foi de Moutinho. No ataque, Jackson é obrigatório ao centro. Nas alas, continuo a apostar em Iturbe e em Varela. Quintero entrará mas lá mais para diante.
Uma dúvida importante continua a ser também a dos jogadores que não vão integrar o plantel. Entre outras coisas, vai depender da evolução do mercado até final de Agosto. Movimentações a acompanhar nas próximas semanas.

Terceiro jogo de preparação: Anzoategui – FC Porto

O jogo de ontem na Venezuela marca o início de uma nova fase na preparação da nova época. Ao contrário dos jogos anteriores, Paulo Fonseca não experimentou mais de 20 jogadores, investindo, ao invés, num onze-base que alterou à medida das necessidades e com poucas experiências pelo meio.

Aliás, pode-se dizer que o FC Porto da segunda parte deve estar muito perto daquele que constituirá o onze titular no início da época: Fabiano, Danilo, Maicon, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho; Varela, Jackson e Iturbe. Só falta aqui Helton e talvez Otamendi, os restantes devem ser mesmo os que iniciarão a Supertaça com o Guimarães.

Teremos tempo de o confirmar. Do jogo de ontem, a destacar uma defesa que, pela primeira vez, deu sinais de fragilidade a sério. Um meio-campo que só começou a carburar na segunda parte depois da entrada de Lucho e das rectificações posicionais nos outros sectores. E um ataque onde Jackson é indiscutível e onde Iturbe começa a assumir-se como a mais-valia que até hoje não tinha provado ser.

Vi o jogo deitado na cama. Já passava da meia-noite quando os jogadores recolheram ao balneário. Vantagens de ter internet e de poder ver, basicamente, todos os jogos da equipa.  Vantagens, ou desvantagens, de uma digressão à América Central. Mas isso é tema para um próximo post.

Museu do FC do Porto

 

Começou a campanha de recolha de espólio para o futuro Museu do FC do Porto, cuja inauguração se prevê para muito breve. Será um museu interactivo e com uma vertente tecnológica muito forte, como se pode ver pela projecção abaixo publicada. Até pelo serviço educativo que terá, e que fará a ligação às escolas, não admira que em breve seja um dos principais pólos museológicos da nossa cidade.

 

 

Será um museu muito diferente daquilo a que todos estamos habituados. Quem se lembra da pobrezinha sala de troféus, no velhinho Estádio das Antas, pode ter uma ideia de tudo o que o novo Museu não será. Já estou a adivinhar as críticas de quem queria que estivesse exposto isto e aquilo. A verdade é que apenas uma pequena parte dos troféus estaá em exposição. Seria necessário um estádio inteiro para expor tudo o que ganhámos até hoje.

Em contraaprtida, estarão expostos outros elementos, como por exemplo a baliza de Dublin onde Falcao marcou o golo da vitória na Liga Europa. Daí que tudo o que os portistas tenham lá por casa possa ter um valor inimaginável. Para estar exposto em permanência ou em exposições temporárias.

Eu já contribuí. Fui o primeirinho…

 

Retalhos da nossa História (27)

A PRIMEIRA CONQUISTA

 

Equipa do FC Porto vencedora da primeira competição conquistada pelo clube, a Taça José Monteiro da Costa, em 1911. A final decorreu a 9 de Abril contra o Leixões. Vencemos por 1-0. Em cima: Elísio Bessa, Manuel Valença e Vitorino Pinto; Ao centro: Mário Maçãs, Adelino Costa e Magalhães Bastos; Em baixo: José Bacelar, Camilo Moniz, Carlos Megre, João Cal e Ivo Lemos.

 

Retalhos da nossa História (26)

A MORTE DE JOSÉ MONTEIRO DA COSTA

O início do ano de 1911 ficou marcado pela morte de José Monteiro da Costa, segundo presidente do FC do Porto e fundamental na revitalização de um projecto que estava praticamente abandonado desde que António Nicolau de Almeida se retirara destas lides. A sua morte ocorreu a 30 de Janeiro, com 29 anos apenas. Vitimado pela doença do costume, que no dealbar do séc. XX matou tantos vultos da nossa história.

José Monteiro da Costa nascera no Porto em 1882. Nos inícios do séc. XX, enquanto era associado da da União de Jardineiros do Porto, presidia ao «Grupo do Destino», agremiação constituída por 24 jovens das melhores famílias da cidade, que regularmente se reuniam e organizavam os mais lautos jantares e animados convívios sociais, entre os quais se destacavam a participação, com carro próprio, no cortejo carnavalesco dos «Fenianos».

Numa das reuniões do «Grupo do Destino», em Agosto de 1906, José Monteiro da Costa, que vinha de uma viagem a Inglaterra, apresenta a ideia de relançar o F. C. do Porto, fundado por António Nicolau de Almeida em 1893 mas completamente inactivo havia alguns anos. O apoio deste e os seus conselhos foram decisivos na aprovação do projecto (numa assembleia em que 13 votaram a favor e 12 contra) e na transformação da festiva agremiação num clube desportivo. O autor da proposta foi desde logo empossado presidente do reatado Football Club do Porto.

Entre 1906 e 1911, período em que esteve à frente dos destinos do clube, Monteiro da Costa lançou de forma definitiva as sementes para o futuro. Como bom horticultor que era, apaixonado pela vida dos vegetais, fez germinar uma planta que definhava a cada dia e deu-lhe vida e alma próprias, fê-la crescer e desenvolver-se. Ele não era apenas o presidente, era também o tesoureiro, o secretário, o atleta e até o árbitro dos jogos.

 

Ao fim-de-semana, liberto que estava das suas actividades profissionais, dedicava-se de manhã à noite aos múltiplos afazeres do clube. Conforme relatos da época, era o primeiro a chegar e o último a partir: organizava jogos com as principais equipas estrangeiras – Real Fortuna de Vigo (actual Celta), Real de Madrid e Europeu de Barcelona (foi o F. C. do Porto a primeira equipa portuguesa a jogar contra adversários europeus) – mas principalmente portuguesas – Benfica e Sporting, Oporto Cricket e Boavista Footballers. No Porto, os desafios realizavam-se sempre com estas duas equipas, as únicas existentes na cidade. O Oporto Cricket era uma equipa formada por cidadãos ingleses que trabalhavam no comércio portuense e o Boavista Footballers era constituído pelos operários da fábrica Graham, na Boavista (desta última viria a sair o actual Boavista); tentava aumentar o número de sócios, contactando com as personalidades famosas da cidade e divulgando ao máximo o novo desporto; dotava a equipa das condições mínimas para a prática do futebol, conseguindo os serviços de um treinador francês radicado em Portugal – Adolph Cassaigne – que acedeu a treinar gratuitamente os toscos atletas; montava as infra-estruturas necessárias, chegando ao ponto de ser ele a marcar, com cal desfeita em água, as linhas do campo de jogos.

A sua primeira preocupação, depois de tomar posse, foi arranjar um terreno para o desenvolvimento das actividades do clube. Como era membro da União de Jardineiros do Porto, conseguiu que lhe fosse alugada parte de um terreno na rua da Rainha, hoje rua Antero de Quental, pela módica quantia de 12 tostões mensais. Ali se realizaram os primeiros jogos do F. C. do Porto. Quanto à sede, aproveitou as instalações do «Grupo do Destino», na rua da Fábrica, pagando a renda do seu próprio bolso. Em seguida, escolheu o emblema – uma bola de futebol com as iniciais F. C. P. no meio – e o equipamento. Numa das primeiras reuniões, alguém sugeriu as cores do Arsenal de Londres, uma potência futebolística da época, mas acabou por ser escolhido o azul e branco, porque eram essas as cores da bandeira nacional. Mal sabiam os primeiros portistas que a monarquia, no nosso país, estava de partida. De qualquer modo, é curiosa esta escolha tão patriótica, sabendo-se hoje que alguns dos mais importantes elementos do F. C. do Porto de então eram conhecidos republicanos e alguns deles estavam até integrados em conspirações contra o regime.

Graças ao homem que ressuscitou um projecto adormecido, o F. C. do Porto cresceu e diversificou as suas actividades. Começou a praticar outras modalidades, como o ténis, o boxe, o atletismo e a ginástica. Quiseram então mudar o nome para Clube Atlético do Porto, mas Monteiro da Costa opôs-se firmemente, juntamente com António Nicolau de Almeida e Romualdo Torres, conseguindo, assim, aquilo que mais nenhum dos actuais grandes clubes portugueses conseguiram: manter o nome de origem ao longo de mais de 100 anos.

Em 1910, o F. C. do Porto participou, juntamente com o Leixões, o Boavista e a Académica de Coimbra, na sua primeira prova «a sério». Disputada anualmente (a Académica era sempre finalista), arrecadava o troféu o clube que vencesse em três anos consecutivos. Por proposta dos membros da direcção, chamou-se ao certame «Taça José Monteiro da Costa», que viria a ser conquistada pelo F. C. do Porto em 1916. É a primeira taça da história do clube.

José Monteiro da Costa já não pôde assistir a essa vitória. Morrendo, não morreu, porque a sua obra, essa, ficou. Desenvolvida, assente em bases seguras, fortalecida. Preparada para os vindouros, que continuaram o sonho e transformaram-no definitivamente em realidade.

Quando José Monteiro da Costa partiu, o F. C. do Porto tinha mais de 100 sócios, praticava uma série de modalidades, regia-se por estatutos próprios (redigidos pelo seu pai) e era, já nessa altura, o maior representante do desporto do norte de Portugal, com uma equipa que lentamente ia aprendendo a arte do futebol. Tudo graças a um homem que, se não foi o fundador do F. C. do Porto (esse papel coube a António Nicolau de Almeida), foi certamente a mais importante figura da sua história.