Passamos

E com muito coração lá conseguimos passar à fase seguinte da Liga Europa.

Foi um jogo de loucos, não propriamente bem jogado, mas conseguimos levar a água ao nosso moinho.

Mas vamos por partes, porque este jogo teve mesmo duas partes muito distintas.

Por motivos profissionais não consegui chegar a casa a tempo de ver o inicio de jogo, apenas comecei a ver aos 13 minutos de jogo e a primeira coisa que vejo é o Jackson Martinez a falhar uma receção mesmo em posição frontal à baliza e sem ninguém a incomodá-lo. Pensei logo, lá está este mercenário a fazer frete como vem sendo apanágio esta época. Poucos minutos depois mais uma receção falhada pelo colombiano, embora desta feita até lhe desculpe um pouco.

Sei que não temos treinador, porque se tivéssemos, provavelmente este senhor estaria no banco e borradinho de medo de falhar o mundial. O mesmo se aplica a se tivéssemos um presidente no seu melhor.

Pese embora isso, até foram uns bons 10 minutos do FC Porto, com velocidade, com pressão, Varela muito desenvolto, Herrera assertivo no ataque, a defesa a funcionar, estava a gostar. Mas a partir da meia hora começamos a perder gás, começamos a ser mais acossados pelo adversário e as debilidades começaram a aparecer.

Até que surge o golo dos alemães, num lance em que conseguiram trocar a bola até ao toque final sem serem muito importunados. Não houve pressão, foi mesmo um universo de facilidades para os adversários.

Pergunto. Onde estava Quaresma? Aliás, onde anda Quaresma quando é necessário defender? Alex Sandro não pode conter tudo, tem de haver ajuda do extremo. Ele nunca foi de defender, é verdade, mas então agora que está bem mais lento e cheiinho, pior ainda.

A segunda parte começa com o segundo golo adversário em mais uma criancice da nossa defesa. Incrível o rol de asneiras defensivas que protagonizamos.

Poucos minutos depois e após um bom cruzamento de Quaresma, Mangala a fazer as vezes do ponta quieta que temos neste momento lá na frente e diminuiu a desvantagem num belo golpe de cabeça.

Renascia a esperança e o adversário sentiu isso mesmo tendo abanado em toda a sua estrutura. Foi então que após um bom cruzamento de Fernando, novamente o nosso defesa goleador, Mangala restabelece a igualdade quer no jogo, quer na eliminatória.

Acreditei que finalmente iríamos partir para a vitória, perante um adversário aguerrido mas bem mais fraco do que nós. Puro engano. Cinco minutos volvidos, levamos com mais um golo. São erros a mais. Os nossos jogadores estão a jogar sobre brasas e com muito pouca confiança.

No entanto, e com muito coração à mistura nunca desistimos e perto do final empatamos o jogo, e consequentemente, adiantamos-nos na eliminatória com um golo do argelino Ghilas.

Estava garantido o apuramento, um apuramento arrancado a ferros, perante um adversário bem mais fraco do que nós mas que apesar de tudo tenho de louvar a crença dos nossos jogadores.

Foi uma eliminatória que penso que merecemos passar, fomos melhores, somos melhores, e não tinhamos necessidade de passar por isto, mas pronto, esta época é a nossa sina.

Quero aqui destacar Ghilas, que com mais tempo de jogo mostrou que talvez mereça algo mais do que aqueles míseros 5 minutos que joga de vez em quando, principalmente quando a prima dona do nosso ponta de lança titular anda a fazer que faz dentro de campo.

Quero também salientar o mau desempenho defensivo de Ricardo Quaresma. Desequilibrar na frente de vez em quando não chega. É preciso ajudar defensivamente, é preciso jogar em equipa e com a equipa. É preciso espírito de sacrifício e de entreajuda.

No entanto, o que conta é o apuramento, onde nos espera um adversário (Nápoles) que se jogarmos o que temos jogado, não teremos grandes hipóteses, mas tenho a esperança que algo tenha abanado ali nesta última semana e consigamos ter um FC Porto menos mau para o que resta da época.

Vocês são o nosso orgulho


Hoje de manhã, algumas dezenas de rapazes juntaram-se nas Partidas do Aeroporto de Pedras Rubras para dar força à comitiva que partia para a Alemanha. As imagens falam por si e emocionam qualquer um.
Ao ver o comportamento de alguns dos jogadores, que não agradeceram a recepção e nem sequer olharam para quem os aplaudia, não posso deixar de pensar que é gente que não merece os adeptos que tem. Verdadeiras primas donas a receber milhões, arrogantes, sobranceiros e vaidosos. Esquecem que quem esteve ali teve de se levantar antes das 7 da manhã e roubar horas à família, ao trabalho, à escola ou simplesmente à cama.
Porque laboram no erro de que aquelas pessoas os amam, fingem que não vêem. Que não querem saber. A verdade é que não é a eles que idolatramos.
Convençam-se, primas donas, não vos amamos e, no fundo, não queremos saber de vós para nada. Vocês são apenas o instrumento de uma vontade colectiva de milhões de pessoas. Desempenham uma missão enquanto cá estão e é só nessa medida que têm alguma utilidade. Estão aqui como podiam estar noutro lado qualquer. Estão aqui este ano como estarão noutro lado qualquer no próximo.
Alguns de vós conseguem um dia perceber o que é o FC do Porto – e então tornam-se portistas a sério e mesmo quando as coisas correm mal apoiam e assumem o seu portismo – ainda nesta semana João Moutinho e Deco enviaram mensagens de conforto para o Dragão. Mas são muito poucos. Acreditem, não será o vosso caso.
Já há 25 anos, quando estacionava diariamente no velhinho Estádio das Antas para ver sair os craques depois do treino, era exactamente a mesma coisa. Jogadores como Celso ou Jaime Magalhães nem olhavam para quem os esperava diariamente, outros, como Futre ou Madjer, eram de uma simpatia ímpar. Todos passaram. Todos. Nós, os adeptos, cá estamos a apoiar o nosso clube de sempre e para sempre. Sem esperar nada em troca a não ser as alegrias das vitórias.
Quanto às dezenas de rapazes que hoje foram ao Aeroporto, só uma palavra: Obrigado. Vocês são o nosso orgulho, vocês são o FC do Porto. Eles não.

O povo é sereno (onde se defende a continuidade de Paulo Fonseca)

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Não vivi os longos anos de jejum entre 1959 e 1978, mas não sou um portista apenas das vitórias. Quando estava a formar a minha consciência desportiva, o FC do Porto esteve 6 anos sem ganhar o Campeonato.
Sei, pois, o que é sofrer por causa de anos e anos de derrotas. Claro que depois seguiram-se 3 décadas de vitórias e a verdade é que o hábito de perder passou a fazer parte de uma memória cada vez mais longínqua. Muitos dos que mais inflamados estão neste momento são precisamente aqueles que viveram muitas e muitas derrotas… mas já as esqueceram.
Tenham calma, não podemos ganhar todos os anos. O povo é sereno.
Não me parece que despedir agora o treinador resolva o que quer que seja. É verdade que a sua contratação foi um erro, é verdade que ainda não demonstrou uma única qualidade que faça dele um bom treinador do FC do Porto, mas também é verdade que estamos a pouco mais de 2 meses do fim da época – faltam 10 jogos para acabar o Campeonato. E se a equipa não conseguiu em 8 meses ter um fio de jogo minimamente aceitável, nem dinâmicas de conjunto, nem uma articulação mínima entre sectores, nem sequer a interiorização dos princípios directores e orientadores que devem reger a sua postura em campo, também não é agora que vai consegui-lo.
Lamento, mas é tarde e Inês é morta.
Como diz o Orlando, se mudar Paulo Fonseca servisse para alguma coisa neste momento, Pinto da Costa já o teria feito. Mais: ir buscar um treinador qualquer agora pode hipotecar não esta época, que está praticamente perdida, mas a próxima.
Porque como é óbvio, os bons treinadores estão todos a trabalhar. E quem quer que venha já, não aceitará fazê-lo se não tiver um contrato que se prolongue pelo menos até à próxima época. Alguns desses, como Marco Silva, aceitariam de bom grado mudar hoje ainda para o Dragão se tivessem aquela garantia. Mas querem mesmo arriscar outra vez? Um Paulo Fonseca II?
Depois há as soluções caseiras, como o treinador da equipa B. Um Paulo Fonseca III? Para isso, mais vale estar quieto, assumir que esta época se perdeu, começar a preparar a próxima e, lá para Junho, apresentar o novo técnico. Alguém que esteja disposto a abraçar o projecto desde o início da época e que o leve até ao fim. Nessa altura, haverá muita escolha. Agora não.
Não obstante, estou em crer que Paulo Fonseca não vai aguentar até ao final da época. Principalmente se ganhar em Dortmund, Leverkusen, Frankfurt ou lá onde é. Tal como aconteceu no passado, Pinto da Costa deve querer deixá-lo sair apenas depois de ganhar uma última vez.
Ou não.

Teimosia

Li hoje na imprensa desportiva que o nosso treinador pôs o lugar à disposição e que Pinto da Costa recusou.

Não percebo essa posição, mesmo sabendo o quanto ele detesta despedir treinadores a meio da época. Para mim, mais do que m ato de coragem, trata-se de um ato de teimosia.

Sei perfeitamente que todos os portistas lhe devem muito e que um dia que desapareça, vamos sentir muito a sua falta, mas algo não vai bem no seio do Dragão. A saída de Angelino Ferreira é um prenúncio disso mesmo, ele que emprestava um enorme capital de seriedade na SAD.

Depois é o faltar do murro na mesa que teima em dar, provavelmente por aconselhamento médico. São os boatos cada vez maiores e mais ruidosos de que dentro da estrutura ele já não dita leis praticamente nenhumas. Respeitam-no, como têm de respeitar, mas fazem à sua maneira. E todos nós sabemos o quanto é prejudicial deixarmos o clube nas mãos de Antero Henriques ou Adelino Caldeira.

A gota de água foi ontem. Após a 4ª derrota para o campeonato, de uma época em que nunca conseguimos jogar bem, mas que se tem vindo a agravar imenso nas últimas semanas, Paulo Fonseca num assomo de dignidade, pôs o lugar à disposição. Pensei eu que poderia ser desta que nos livrávamos de um dos piores treinadores da nossa história e começaríamos a busca (se é que já não está feita) de um treinador para iniciar já, mas tendo em vista a preparação da próxima época e de tentar dar alguma dignidade a esta. Mas não. A teimosia do nosso Presidente é tão grande que mais uma vez, segurou o lugar do treinador. Não compreendo, sinceramente não compreendo. 

Uma chicotada psicológica nesta altura não é boa? Concordo. Mas no contexto atual do clube, penso que seria o ideal, desde que o escolhido fosse alguém a pensar no futuro e não no imediato.

Estamos mal, não vejo perspetivas de melhorias, perdemos uma equipa, pois agora cada um joga por si, o que, com a entrada de Quaresma se veio a acentuar ainda mais, corremos o sério e real risco de sermos “arrasados” pelo nosso grande rival e nada se faz, nada se muda.

A mim, como portista preocupa-me. Não perder este campeonato, porque sei que não podemos ganhar sempre, mas preocupa-me o facto de pela primeira vez não estar a perspetivar nenhum futuro.

Há uns anos atrás ouvia os adeptos do nosso rival dizerem que estavam a perder a mística e que se estavam a descaraterizar. E todos sabemos o que lhes aconteceu desde os anos 80 (pouco ganharam). Atualmente ouço isso dos portistas, eu próprio penso isso. Estou farto de não ver aproveitamento das nossas camadas jovens. Estou farto de ver muitos mais estrangeiros que portugueses no nosso plantel. Estou farto!

É hora de dar um murro na mesa e inverter toda esta situação, caso contrário passaremos pelo mesmo calvário que o nosso grande rival passou.

Vamos mudar, vamos alterar isto, vamos ser o que sempre fomos, um clube com um imenso orgulho e que joga de dentes cerrados.

Quero mais João Pintos, mais Fernandos Coutos, mais Jorges Costas, mais Vítor Baías, mais Paulinhos Santos, quero mais garra, mais sentimento. Quero voltar a ver cachaços (ou calduços) no marcador dos golos. Quero isso tudo. Tenho saudades disso tudo.

Presidente, não deixe morrer o Porto por teimosia. Devemos-lhe muito mas o senhor também comete erros. Paulo Fonseca foi um erro ENORME, mas ainda vamos a tempo de salvar o futuro.

Desculpem este texto enorme, mas precisava de desabafar.