Ainda bem que Lopetegui confia cegamente na conquista do campeonato

Estou numa fase da minha vida em que relativizo um bocado o futebol. Os problemas pessoais, os problemas da humanidade – fui ao Rivoli, no Sábado à noite, ver um documentário sobre a obra de Sebastião Salgado, The Salt of the Earth, que me deixou sem palavras – tornam o futebol e as suas ridículas questiúnculas e guerrinhas algo de perfeitamente secundário.
Seja como for, encontro nesta fase do nosso clube algumas parecenças com fases passadas. Somos muito grandes, já conquistámos muito, muitíssimo, desde 1906 (e não desde 1893 conforme dita a versão oficial), perdemos durante anos a fio e depois voltámos a ganhar. Sempre a ganhar.
Pode ser uma coincidência, mas começámos a primeira travessia do deserto com um presidente fantástico que pôs o Porto nos píncaros mas que acumulou erros na parte final do seu mandato (Ângelo César) e com um treinador que fora um antigo guarda-redes (Siska).
Não acredito que desta vez aconteça o mesmo, mas acredito que o actual ciclo do futebol português já começou há 6 anos, no momento em que Jorge Jesus chegou ao Benfica. Neste ciclo de 6 anos, podemos ter uma ligeira supremacia, não mais do que isso. Se o Benfica for campeão, serão 3 campeonatos para cada um nos últimos 6 anos. Quero acreditar que o Benfica actual é apenas Jorge Jesus e que dele depende para o bem ou para o mal. Quero acreditar que o Porto ainda tem a tal estrutura.
Não vi o jogo, não posso falar. O onze foi o normal, as substituições também normais e, como de costume, tardias. No final, registei que o nosso treinador confia cegamente na conquista do título.

Rescaldo do clássico

Quem não marca sofre. Por Augusto Baptista Ferreira.

Compete agora ao FC Porto continuar a ganhar para manter o rival pressionado e esperar que Jorge Jesus perca pelo menos uma das jóias da coroa no mercado de Inverno. Está mais que provado que para ir ganhando em Portugal não é preciso grande banco, basta ter um onze competitivo, coisa que o Benfica (ainda) tem. A única coisa que é certa para já é que a Taça de Portugal já ficou para trás e o campeonato complicou-se bastante.

Sorteio “amigo”

FC_BaselFoi acabado de sortear o nosso adversário para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Calhou-nos em sorte o Basileia da Suiça, e por muito forte que o adversário possa ser, dentro das oito hipóteses, a par do Shalke 04 e do Leverkusen era uma das três equipas em teoria mais acessíveis.

Penso que temos todas as possibilidades de nos apurarmos para os quartos de final, assim tenhamos cabeça para tal.

Lição tática!

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Segundo jogo grande em casa, segunda derrota, segunda lição tática levada.

Desde julho que ouço que temos grandes jogadores (e concordo), um bom plantel (também concordo), e um bom treinador. Aí, se desde o inicio dei o beneficio da dúvida, mesmo com as rotatividades em excesso levadas a cabo por ele, após o jogo em casa com o Sporting e a estrondosa derrota tática que levamos nesse jogo, o meu capital de dúvida esgotou.

Apesar disso procurei sempre não criticar muito, até porque no seio portista existe a mentalidade que quem critica é “pipoqueiro” e não sente o clube. Quem abana a cabeça é que tem amor ao clube.

Pois bem, depois da estrondosa lição tática que Jorge Jesus deu ao nosso treinador, não posso calar e consentir.

Não temos treinador. Ele não tem unhas para os jogadores que tem. É inadmissível perder da forma que perdemos.

Foi injusto? Sem dúvida. O adversário praticamente nada fez no ataque e marcou dois golos. Mas e nós? Andamos 45′ sem conseguir fazer um jogada a não ser pontapé dos defesas para a frente a ver se os nossos extremos resolviam. O adversário com mestria tirou-nos o meio campo e pressionou a nossa defesa na saída da bola e com isso destrui-nos por completo, e não houve uma voz do banco para inverter isso. Herrera nada fez, Óliver não conseguia segurar uma bola, Brahimi perdia-se num emaranhado de fintas sempre de costas para o ataque.

Só na segunda parte e após o 2-0 é que ele decide fazer qualquer coisa para mexer no jogo. Não meus amigos. Se dizer mal do treinador é ser pipoqueiro, então eu sou-o com todo o gosto.

O Benfica nada fez para merecer a sorte que teve? É mentira. O Benfica veio com a lição bem estudada. Defender, pressionar e esperar pelo erro do adversário. E foi o que aconteceu. Num lançamento de linha lateral um triplo erro dos nossos defesas que vão simultaneamente à bola, deixando-a bater à frente e sobrar para Lima que com muita sorte marca o primeiro.

Pensei eu que a partir daí, íamos começar a correr e a explanar o nosso jogo, mas enganei-me redondamente. Continuamos no mesmo ritmo pausado, de troca de bola na defesa e pontapé para a frente para o ataque. E assim foi durante todo o resto da primeira parte.

A segunda parte começa na mesma toada e num contra ataque acabamos por sofrer o segundo mais uma vez por Lima e com muitas culpas de Fabiano pelo meio.

Só após esse lance, o iluminado do treinador decide mexer na equipa fazendo entrar Quintero e Quaresma para os lugares dos inexistentes Tello e Herrera. A culpa da fraca prestação destes dois jogadores é deles? Claro que não. Não se pode jogar bem quando somos manietados no meio campo e do banco não temos ninguém com capacidade para inverter as coisas.

Depois dessas trocas e fruto de uma excelente entrada de Quaresma, começamos a aparecer um pouco mais na área adversária, tendo até duas bolas nos ferros, mas fiquei sempre com a nitida sensação que não tínhamos capacidade para dar a volta aos acontecimentos.

Refugiar-mo-nos na falta de sorte e assobiar para o ar é continuar a meter a cabeça na areia. Não tivemos sorte, é um facto, mas também não tivemos capacidade para inverter as coisas.

Perdemos 1-3 com o Sporting e fomos eliminados da Taça e perdemos 0-2 com o pior Benfica dos últimos 4 ou 5 anos. Nos dois jogos perdemos a partir do banco e isso é que me preocupa.

Em suma, ficamos a seis pontos do primeiro lugar e muito embora falte muito campeonato, a distância já preocupa bastante.

Quanto a destaques, pela positiva destaco Quaresma, que desde que entrou, mexeu com o jogo. Foi o único a fazê-lo.

Pela negativa, o nosso meio campo que simplesmente não existiu, Jackson que esteve francamente mal e Brahimi a mostrar que após um grande inicio de campeonato, está a atravessar um momento muito mau de forma.

Termino dizendo, que muito embora considere que fomos muito infelizes no resultado, isso só aconteceu porque Jorge Jesus deu uma banhada tática a Lopetegui.

O primeiro Porto – Benfica da história do Campeonato Nacional

A equipa do FC Porto campeã nacional na época de 1934/35

A equipa do FC Porto campeã nacional na época de 1934/35


O primeiro Porto – Benfica da história do Campeonato Nacional de Futebol decorreu no campo do Lima a 3 de Fevereiro de 1935, na 3.ª jornada da época de 1934/35. Quando se disputou o jogo, Porto e Benfica estavam de relações cortadas há 3 anos, embora fossem cada vez mais visíveis os sinais de um futuro reatamento.
O Porto, treinado por Joseph Szabo, venceu por 2-1 com golos de Lopes Carneiro e de Pinga para o Porto e de Valadas para o Benfica.
Como de costume, foi um jogo com casos. Para o «Sporting», jornal do Porto, «o jogo dos portuenses foi muito agradável, tendo sido altamente prejudicados pelo árbitro, que parecia apostado em favorecer o Benfica». Já para a «Stadium», revista de Lisboa, a arbitragem de Manuel de Oliveira, do Porto, foi «imparcial e prejudicou os dois grupos».
Muito discutido foi o segundo golo do Porto, resultante de uma grande penalidade por mão de Gustavo. Pinga falhou o penalty, mas o árbitro mandou repetir por estarem jogadores do Benfica dentro da área. Na repetição, o avançado do Porto voltou a falhar, mas conseguiu marcar na recarga.
Mas a polémica não se ficou pelos casos de arbitragem. Pela equipa do Benfica, jogou Álvaro Pina, que estava suspenso por seis meses. A suspensão foi levantada nessa mesma semana, sem que o prazo de seis meses estivesse concluído, e voltou a estar suspenso na semana seguinte. Jogou também Gaspar Pinto, jogador que o Benfica foi buscar ao Carcavelinhos nessa mesma semana. Já na semana seguinte, contra o Benfica, Gaspar Pinto não jogou, porque voltara ao Carcavelinhos para fazer o resto da época. Ou seja, jogou pelo Benfica apenas contra o Porto. Um acordo entre Benfica e Carcavelinhos com que a Associação de Futebol de Lisboa concordou. Os jornais de Lisboa, ao contrário dos do Porto, não referiram esta questão.
«Acaso o FC do Porto representará um papão que se torne absolutamente necessário vencer à outrance? Será necessário usar processos desleais e incompatíveis com o critério são de dirigentes para que dois pontos sejam disputados dessa forma? Ou torna-se necessário aproveitar tudo para que o mais categorizado representante do norte não venha a ser o vencedor do Campeonato da Liga?
Nós não somos estrangeiros aqui no norte! O FC do Porto, como qualquer outro clube do norte, tem direitos iguais aos seus semelhantes de Lisboa. Se perder que seja sem iniquidades nem atropelos à lei», dizia o «Sporting» de 10 de Fevereiro.

Dever cumprido

Com um onze completamente diferente do normal, resultante do facto de partirmos para este jogo já com o primeiro lugar garantido, o nosso clube obteve um empate nesta ultima jornada da fase de grupos contra os ucranianos do Shaktar.
Foi um jogo pouco conseguido de nossa equipa, mercê das inúmeras alterações promovidas por Lopetegui, mas que se compreende devido ao facto do jogo importantíssimo que temos no próximo domingo.
Logo ao quarto minuto podíamos ter sofrido não fosse um falhanço escandaloso do jogador ucraniano. No entanto, foi também o pouco que consentimos durante toda a primeira parte. Foram quarenta e cinco minutos com poucas ou nenhumas oportunidades de parte a parte.
Nota negativa desta primeira parte a lesão de Ruben Neves que tão boa conta de si estava a dar.
Uma pena e que espero que não seja nada de grave.
A segunda parte começa com um maior domínio dos ucranianos, a conseguirem trocar a bola no nosso meio campo com alguma facilidade e a explorarem o lado direito da nossa defesa, fruto da falta de rotina de Ricardo no lugar.
Fruto disso e na sequência de um canto, o adversário chega à vantagem com o jogador ucraniano a saltar mais alto que o nosso menos um, Adrian Lopez.
Logo após o golo Lopetegui faz entrar Kelvin para o lugar de Adrian, e finalmente começamos a jogar com onze. Não é que tenhamos começado a jogar melhor, mas pelo menos viu-se alguém a mexer-se naquela posição, ao invés de uma estátua.
E já quando poucos acreditavam, Aboubakar decide protagonizar o momento da noite. Após um ressalto de bola em que esta fica a saltar à frente dele, ainda bem fora da área, o camaronês desfere uma bomba, que só parou no fundo da baliza. Estava feito o empate, que nos permitiu terminar esta fase de grupos sem qualquer derrota, mesmo jogando com uma segunda equipa.
Quanto a destaques individuais, destaco Aboubakar, não só pelo golo, mas também pelo esforço a que foi sujeito todo o jogo, procurando sempre a bola e recuperando-a, muitas vezes ainda no nosso meio campo.
Ruben Neves também esteve bem enquanto esteve em campo, sendo um tampão naquele meio campo.
Marcano enquanto esteve a central também esteve muito bem, assim como Indi.
Pela negativa apenas e só o nosso flop da época, Adrian Lopez. Em quase uma hora que esteve no relvado, apenas se viu um remate à baliza. Tudo o resto foi amorfo, para não falar na passividade demonstrada no lance do golo sofrido.
Em suma foi um jogo pouco conseguido mas que se justifica pelo pouco que havia em jogo e pelas poupanças feitas para o jogo do próximo domingo.
Estamos nos oitavos. Somos a única equipa portuguesa a consegui-lo. Estamos nas dezasseis melhores equipas da Europa, e espero que não fiquemos por aqui. A ver vamos. Continue reading

O homem que ajoelhou Jesus!

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Ficará na memória eterna de todos os portistas o célebre minuto 92′ do jogo da penúltima jornada do campeonato da época 2012/2013.

Com o jogo empatado a uma bola no Dragão contra aquele que era à altura o líder do campeonato, um jovem com um corte de cabelo à moicano entra em campo e pouco depois faz aquilo que já poucos acreditavam. Recebe a bola de Liedson e atira para o fundo da baliza. Com um grande golo já nos descontos, decidiu ali o campeonato, deixando Jesus de joelhos, uma imagem que perdurará para sempre na história dos campeonatos.

Kelvin de seu nome, desde então poucas ou nenhumas oportunidades teve para mostrar o seu valor. Hoje está convocado para o jogo da última jornada da Champions, e com o FC Porto já apurado como líder do grupo pode ser uma oportunidade de ouro para ele mostrar o seu valor.

Espero que mostre todo o seu valor que já deu para apreciar a espaços na equipa B esta época. Espero que espalhe magia pelo campo. Esta é uma grande oportunidade para ver jogadores menos utilizados.

Espero que sim.

Para memória eterna aqui fica o vídeo do momento relatado acima: