Dissertações!

Agora, uns dias passados do “jogo do título” e mais a frio apetece-me tecer algumas considerações sobre o que tenho lido e ouvido no universo portista.

Muitos acham que após uma época sem nada ganhar deve-se voltar a baralhar e dar de novo, ou seja, despedir treinador, mandar alguns jogadores embora, começar do zero, MAIS UMA VEZ.

Meus amigos, nestes últimos trinta e poucos anos que acompanho o futebol, isso foi o que o nosso maior rival interno fez. Foi um cemitério de treinadores, só porque não ganhavam logo à primeira, trocavam de treinador, tornando esse clube, num clube menor que pouco ou nada nos apoquentava.

Reparem que agora que estabilizaram, mantendo o mesmo treinador por seis épocas consecutivas, aprestam-se a ser uma coisa que eu nunca os tinha visto serem (bi campeões nacionais). Se se despedisse à primeira oportunidade, depois daquele campeonato perdido ao minuto 92′ no Dragão e as derrotas seguintes que os fizeram perder tudo, provavelmente não estariam agora prestes a festejar pelo 2º ano consecutivo.

Lopetegui não é um grande treinador? Não sei. Sinceramente não sei. Errou muito no inicio por falta de conhecimento do nosso campeonato mas depois emendou a mão e fez na minha opinião um bom campeonato. Só não estamos em melhor posição por fatores externos ao jogo que nada culpam JL.

Na Liga dos campeões digam o que disserem, chegar aos quartos de final e assustar um dos maiores colossos do futebol mundial, vencendo-os na nossa casa e terminar uma prova que iniciamos na pré eliminatória apenas com uma derrota em doze jogos, para mim é uma grande prestação.

Na Taça de Portugal, reside para mim, a única desilusão da época. Perdemos por culpa de erros do treinador, ainda numa fase em que a excessiva rotatividade nos tramou.

No cômputo geral não acho que tenha sido mau. Também não foi bom é um facto, mas na minha opinião o que foi feito, merece pelo menos que seja dada continuidade.

Outra das coisas que tenho ouvido muitas criticas é o abraço que Quaresma deu a JJ.

Não percebo, sinceramente não percebo. A mim não me incomoda que exista uma relação de amizade entre rivais.

Dentro de campo devem dar o máximo, lutar até à exaustão, agora fora dele acreditam mesmo que eles não se falam? Querem guerrilhas dentro ou fora de campo? Eu pessoalmente prefiro-as dentro das quatro linhas.

A mim incomodou-me mais, mas mesmo muito mais, Brahimi a sair a passo quando foi substituído. Incomodou-me muito mais aquela última posse de bola do jogo de domingo, com Herrera e Ólíver (penso que tenham sido estes os intervenientes), que ao invés de chutarem para a “molhada”, à espera de algum milagre tipo Kelvin, terem andado a recriar-se com a bola a fazerem passes para trás.

Quaresma podia ter evitado o abraço? Podia. Terá sido por provocação a Lopetegui por alguma quezília que tenham tido ao intervalo do jogo contra o Bayern Munique? Se calhar. Mas honestamente a mim não me chocou por aí além, talvez porque dê mais importância ao que se passa dentro das quatro linhas do que os fait divers fora delas.

Também ouvi falar muito da perda da mística. Meus amigos, essa mística foi perdida há muito. Há quantos anos não temos referências a sério no balneário? Desde que ficamos campeões europeus em 2004, fomos perdendo sucessivamente líderes de balneário, fomos jogando cada vez menos com jogadores formados no nosso clube. Esta época por mais do que uma vez entramos em campo sem portugueses.

A mística transmite-se com jogadores da casa, com jogadores como Jorge Costa, Paulinho Santos, João Pinto e afins. Não podemos esperar isso de Helton (brasileiro), Quaresma (português mas formado noutro clube) ou Danilo (brasileiro e de saída).

Não duvido que nenhum deles goste muito do clube, mas não são jogadores “nossos”. Não são o indicado para isso.

Na minha opinião devíamos olhar muito mais para dentro, apostar em jogadores formados no clube, fazer uma mescla de jogadores da casa e jogadores de fora que venham realmente fazer a diferença.

Outro fator que para mim foi preponderante para a perda do campeonato, foi mais uma vez o silêncio da SAD. Não se pode permitir que o clube que vai à frente seja beneficiado em cerca 70% dos jogos da primeira volta e se assobie para o ar.

Pinto da Costa foi mandando algumas “bojardas”, mas mesmo assim foi pouco, muito pouco. Fala-se que existe um pacto entre os dois clubes. Se isso for verdade (e quero acreditar que não) é muito grave e que nos leva a nós, adeptos a ter um papel de “tansos” no meio disto tudo.

Se repararem a ÚNICA voz a sério que tivemos durante a época, que foi metendo o dedo na ferida e com isso incomodando os adversários e grande parte da comunicação social, foi o nosso treinador. Esse mesmo que muitos querem fora do FC Porto. Ele deu a cara sempre. Defendeu-nos como a SAD nos deveria ter defendido e nunca o fez.

Aquela sua atitude para com JJ no final do jogo revela intranquilidade e nervosismo. Revela uma pessoa que deu o corpo às balas em defesa da equipa em todas as situações. Confesso que preferia que ele não tivesse tido aquela atitude, mas entendo-a perfeitamente dentro do contexto de toda a época.

Se a SAD fizesse o seu trabalho, talvez JL não precisasse de andar sempre preocupado em defender-nos e concentrar-se mais no jogo jogoado, que foi para isso que ele foi contratado, mas infelizmente ele teve de ser tudo, dentro da nossa estrutura.

Veremos como correrão as cenas dos próximos capítulos, mas para mim penso que estamos a dar tiros nos nossos próprios pés com as críticas que tenho lido / ouvido.

Miragem!!

Existe uma premissa muito importante, quer no desporto, quer na vida. Para se ganhar é preciso fazer por isso.

Quando se exigia que o FC Porto entrasse com tudo e asfixia-se o nosso rival de hoje de modo a anular quer a desvantagem pontual, quer a diferença de golos, o nosso clube não teve capacidade para tal.

Perante uma equipa que já se sabia que pouco ou nada iria fazer para vencer (foi assim no Dragão, foi assim em Alvalade e foi assim hoje), o que se impunha era uma entrada autoritária, em velocidade e a perturbar logo desde o primeiro minuto o nosso adversário.

Lopetegui surpreendeu com as saídas de Fabiano, Herrera e Quaresma, para as entradas de Helton, Rúben Neves e Evandro. Se no caso dos guarda redes entendo perfeitamente, e no caso de Herrera aceito, a saída de Quaresma para mim é incompreensível.

Se existe extremo fora de forma, esse extremo é Brahimi e não o português, ainda para mais sabendo que o adversário iria povoar o meio campo e deixar as laterais mais “expostas”, pois sempre se apresentou assim contra “os ditos grandes”, um jogador capaz de desequilibrar nas laterais seria o ideal na minha opinião.

Mas nada disso aconteceu, e o jogo foi seguindo minuto após minuto, falta após falta até aos minutos finais da primeira parte, quando aconteceu aquele que foi o único lance de perigo da primeira parte. Jackson recebe um cruzamento de Danilo e após um primeiro cabeceamento, a bola sobra novamente para ele, e com a baliza totalmente à sua mercê, remata por cima.

A segunda parte começa com o adversário ligeiramente mais afoito (mas mesmo muito ligeiramente) e com o FC Porto, mesmo com as entradas de Herrera para o lugar de Rúben e da saída de Brahimi para o lugar de Quaresma, pouco ou nada acutilante.

Daí e até final o que dizer de destaque? Nada, rigorosamente nada. Falhamos passes em demasia, Maicon a exagerar em demasia em passes longos quando até em passes curtos ele tem dificuldades, o nosso meio campo nunca conseguiu pegar no jogo, e consequentemente, a bola mal chegava aos avançados.

Em suma, tivemos mais bola, esforçamos-nos mais mas o nulo no final traduz o que se passou em campo. Um vazio de oportunidades, num jogo que se esperava muito, mas, e como se costuma dizer, a montanha pariu um rato.

Posto isto, o título passou a ser uma miragem. Se é justo ou não falarei disso quando estiver tudo decidido matematicamente, mas hoje tínhamos de fazer mais, de lutar mais, de mostrar mais do que aquilo que mostramos.

Segue-se agora uma deslocação a Setúbal e o que se exige é uma vitória para se continuar a acalentar toda e qualquer esperança (ainda que muito ténue) de conseguirmos alcançar o título nacional.

Contra a força não há argumentos!

E foi graças a uma primeira parte para esquecer que acabou o nosso sonho europeu. Já se sabia que ia ser muito difícil, ainda mais ficou quando ainda na primeira mão nos vimos sem os nossos laterais. Mesmo apesar de hoje, continuo a acreditar que com eles em campo a história poderia ter sido outra.

Não jogamos contra uma equipa qualquer. Por mais que os de cotovelo dorido com a nossa vitória a semana passada tenham tentado fazer passar, nós jogamos contra aquela que é a melhor equipa do mundo na atualidade. Não tinham peças importantes? É verdade. Mas enquanto eles têm milhentas opções para qualquer lugar, a nós bastou-nos ficar sem os laterais titulares que não temos quem os substitua.

Justifica isto o resultado final? Claro que não. Podíamos e devíamos ter tentado fazer mais.

Não estivemos bem, nunca conseguimos jogar, fomos completamente asfixiados pelos bávaros, não nos dando hipóteses sequer de respirar durante toda a primeira parte. Fomos demasiado temerários. Sofrer cinco golos em vinte e cinco minutos é demais.

Lopetegui arriscou ao fazer entrar Reyes para a lateral direita. É censurável? Agora que sabemos o desfecho final é facil falar, mas o certo é que ninguém se sentia confortável com a ideia de ter Ricardo Pereira a lateral direito.

Tudo correu mal na primeira parte. Nenhum jogador se destacou pela positiva. Era tudo feito sem cabeça, sem qualquer nexo.

Foi uma dádiva dos céus o intervalo. Deu para arejar as ideias, Lopetegui alterou o sistema tático, trocando Quaresma por Rúben Neves.

As trocas operadas, aliadas a um abrandamento natural do adversário fez com que estivéssemos bem melhor na segunda parte. Conseguimos ter mais bola, equilibramos o jogo e com isso ainda conseguimos atenuar a goleada com um golo de Jackson Martinez no único remate feito à baliza. Pouco, muito pouco para uma equipa que queria passar ás meias finais.

Daí e até final ainda houve tempo para sofrermos o sexto e o consumar de uma goleada que nada trás de bom.

Como disse no título, contra a força não há argumentos e isso hoje ficou bem claro. Parabéns pelo enorme jogo da primeira mão, nada vos tira isso. Foram uns campeões. Hoje foi mau, correu mal, nada a fazer.

Agora é esquecer rápido este jogo e preparar as cabeças para o próximo domingo em mais um jogo decisivo, desta feita para o nosso campeonato.

Chegou o grande dia

Quando acordo de manhã, a primeira coisa que faço é ligar o rádio do WC. Está sempre na Antena 1 e, à hora a que me levanto, costuma estar a dar o programa «A contar», em que o autor, David Ferreira, põe excertos de uma série de músicas sobre um determinado tema.
E a primeira coisa que ouço quando ligo o rádio é: «Hoje, um dos clubes mais extraordinários da Europa vai discutir a passagem às meias-finais da Liga dos Campeões…», seguido de um excerto do «Porto, Porto» do Sérgio Godinho.
Ainda meio estremunhado, despertei logo. A seguir, o locutor, que se assume benfiquista, refere-se à admiração que sente por um clube muito mais pequeno do que os monstros da Europa e que consegue tantas vezes suplantá-los, passando a seguir um excerto do nosso hino: «Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade / Diz à gente o que é ser nobre e leal. / Teu pendão leva o escudo da cidade / Que na história deu o nome a Portugal. Oh, campeão, o teu passado / É um livro de honra de vitórias sem igual / O teu brasão abençoado / Tem no teu Porto mais um arco triunfal / Porto, Porto, Porto, Porto / Porto, Porto, Porto, Porto / Porto, Porto».
Confesso que me emocionei. A seguir, alude à não-expulsão de Neuer na primeira mão, dizendo que roubar os mais fracos é feio e põe o «Jardel a voar sobre os centrais» do Rui Veloso, «Meu Porto, Linda Cidade» (não sei de quem é) e «O Porto aqui tão perto» do Sérgio Godinho.
No final do programa, o locutor diz: «Desejamos toda a sorte do mundo ao maravilhoso FC do Porto».
Ouçam, por favor, foi um programa muito bonito. http://www.rtp.pt/play/p955/e192224/david-ferreira-a-contar
Chegou o grande dia. E ganhar hoje (ou passar a eliminatória) não é um feito que já não tenhamos conseguido antes por diversas vezes. Lembro-me de quando fomos ganhar a Aberdeen em 1984. Lembro-me da vitória em Kiev em 1987, frente àquela que era uma das mais poderosas equipas da Europa. 2-1 na primeira mão e, lá, 2 golos de rajada nos primeiros 10 minutos – (quase) ninguém acreditava. Lembro-me de Manchester em 2004. E espero vir a lembrar-me por muitos anos do dia de hoje.
Vamos Porto!