Será Bueno, o Alberto?

Rescaldo!

Agora que o campeonato chegou ao fim, penso ser a hora de fazer um balanço do que foi o mesmo.

Depois de uma época para esquecer como foi a anterior, o nosso clube partiu para esta com ambições redobradas, fruto de uma política de contratações forte, dando praticamente todas as condições ao técnico (também ele novo) para ser feliz.

Digo quase todas porque, apesar de se ter construído um bom plantel (mas não o melhor de sempre como irresponsavelmente alguns chegaram a apregoar), faltou aquilo que até à pouco tempo era impensável faltar.

Falo da voz da SAD. Pinto da Costa parece ter perdido de vez o fulgor de outros tempos. É normal, a idade pesa, a saúde começa a faltar e ninguém é eterno.

Mas na falta do Presidente teria de existir alguém que fizesse o seu papel. Alguém que fosse a voz de comando dentro da estrutura, alguém que não deixasse acontecer o que aconteceu este ano. Não tenho memória por exemplo de nos deixarmos ser tão “mal tratados” pela comunicação social. Eu sei que sempre fomos o parente pobre, mas com PdC em forma eles tinham muito mais respeito por nós. Agora parece que o perderam.

Não houve também uma voz dentro da estrutura que impedisse a vergonha que aconteceu na primeira volta. Houve um clube a ser levado literalmente ao colo e ninguém se levantou para se insurgir contra isso. Quer-me parecer que atualmente a SAD só pensa em fazer capital e está pouco ou nada importada com os resultados desportivos, o que é grave, muito grave.

Custou-me ver uma imagem no jogo do Restelo, onde Lopetegui em fúria por termos sofrido o golo da igualdade, socava o banco de suplentes, e ao lado, impávido e sereno víamos Antero Henriques a mexer no telemóvel. Sempre temi o pós Pinto da Costa, mas quer-me parecer, que mesmo com ele ainda na estrutura já estamos a passar por essa fase.

Numa altura que se fala de mística, a falta dela na estrutura do nosso clube é por demais evidente.

Lopetegui também não fica isento de culpas. Nitidamente mal preparado para o que vinha encontrar, começou a época com uma excessiva rotatividade, não criando as tão necessárias rotinas, muito importantes para um plantel novo, que não se conhecia e, talvez, demasiado jovem.

Não discuto o modelo de jogo, pode ser bom ou mau, não sou treinador, sou apenas um espetador e adepto. Discuto sim que tenho para mim que um plantel tem de criar primeiro uma identidade e depois de criada é que se parte para as fases seguintes do processo (rotatividade incluída) e Lopetegui não o fez. Chegamos ao fim da época a jogar execravelmente e com os jogadores de rastos, quer física, quer psicologicamente.

Fala-se que não tem conseguido chegar aos jogadores. Não sei se é verdade ou não, mas o certo é que a equipa falhou sempre, e repito, sempre que tivemos oportunidade de encurtar distâncias.

Apesar disso tudo, foi o único a dar o corpo às balas, se calhar até em demasia, mas na falta de alguém dentro da SAD que o fizesse, ele fê-lo, e na minha opinião muito bem.

Preferia que não o tivesse que fazer. Para mim um treinador é para treinar, mas um dirigente é para dirigir, e a falta dessa direção forte e sem medo é o que mais me preocupa de momento.

Na minha opinião merece o beneficio da dúvida. Não sou defensor que seja demitido, mas a margem de erro para a próxima época será de zero.

Os jogadores também têm muita culpa do que aconteceu. Não percebo as “diarreias mentais” constantes que se assistem nos jogos. Por vezes parecem alheados dos mesmos. Sempre que podemos recuperar desvantagens pontuais nunca o fomos capazes de fazer. Não percebo como é que nunca conseguimos virar um resultado adverso. Falhamos em casa com o nosso maior rival interno por falta de astúcia e lá por falta de ambição (inaceitável ver Brahimi a sair a passo e aquela última posse de bola jogada cá atrás no estádio da Luz). Falhamos na Madeira, em casa do Nacional quando podíamos ter encurtado a distância para um ponto, falhamos no Restelo precisamente da mesma forma e falhamos também na Madeira, contra o Marítimo num jogo (mais um) mal conseguido. Nas bolas paradas (aqui também culpas para o treinador) somos uma nulidade. Não sabemos bater cantos, devemos ser dos clubes que mais grandes penalidades falha, e com exceção dos livres, onde mostramos uma melhoria em relação a anos transatos, o aproveitamento desses lances é muito pouco.

Já o disse em posts anteriores e repito. É inaceitável ver falta de ambição em jogadores que ganham verdadeiras fortunas. Nós, adeptos, que acompanhamos a equipa para todo o lado, que amamos o clube como ninguém não merecemos. Aqueles milhares que pagam religiosamente as suas quotas e que não falham um jogo, aqueles, que mesmo distantes não perdem um dia do clube, seja pela televisão, pela net, pelos jornais, aqueles que não tendo possibilidades financeiras para dizerem presente no estádio, estão sempre com o coração no clube, não merecem aquilo que estes jogadores lhes fazem.

Os adeptos merecem mais. Merecem mais empenho, mais luta, mais determinação, mais garra.

Por último, e com o mesmo grau de responsabilidade na perda deste título, as decisões arbitrais, principalmente na primeira volta deste campeonato.

Por muitas culpas que tenhamos tido, e tivémo-las, não tivemos culpas no Bessa por ter sido invalidado um golo limpo ao Boavista que daria o empate contra o clube que ficou à nossa frente. Não tivemos culpa que esse mesmo clube tenha vencido o Gil Vicente em casa com um golo marcado em posição clara de fora de jogo. Não tivemos culpa que o Rio Ave tenha sofrido um golo precedido de falta evidente e tivesse visto um golo seu ser mal anulado por um fiscal de linha uns bons 5 metros atrasado em relação à linha da bola. Não tivemos culpa que o Arouca não tivesse tido um penalty a seu favor quando o resultado estava a zero e que um grego não tivesse sido expulso no mesmo jogo ao cometer uma falta em tudo idêntica à que Maicon tinha feito no Dragão contra o Boavista. Não tivemos culpa que em casa do Estoril tivesse sido perdoado um penalty ao mesmo clube e se tivesse validado um golo precedido de falta. Não tivemos culpa de nos dois jogos contra o Moreirense o mesmo clube tivesse sido ajudado. Contra o Setúbal, casa e fora a mesma história.

Também não fomos responsáveis pelo golo anulado a Brahimi em Guimarães, num erro claro do árbitro, assim como não tivemos culpa de nos últimos minutos do jogo de Alvalade tivesse sido perdoada uma grande penalidade ao clube da casa.

Estas situações não podem ser branqueadas. Óbvio que não podemos fugir das nossas responsabilidades, também as tivemos e muitas, tal como as enumerei em cima, mas mesmo com todas as asneiras por nós cometidas, não fossem as “ajudas” a terceiros e estaríamos a festejar a conquista do campeonato.

Não o conseguimos, paciência. Espero que não sejamos autistas e que consigamos ser humildes o suficiente para aprendermos com os erros. Temos de recuperar o querer ganhar, a vontade, o antes quebrar que torcer que se perdeu.

Agora vem a “Silly Season”, com as entradas e saídas de jogadores. Muitos irão sair, teremos de construir outro plantel, espero que haja critério nas escolhas e que façam com que daqui a um ano eu esteja aqui a escrever sobre a conquista do título nacional.

Ainda falta muito para começar a próxima época?

Heptacampeões!!

andebol

E ao quinto jogo do play-off e após dois prolongamentos, o FC Porto sagrou-se Heptacampeão de andebol, feito histórico na modalidade em Portugal.

Vitória arrancada a ferros com o adversário da final a vender cara a derrota, o que ainda ressalva mais o feito. De facto o Sporting também esteve muito bem.

Parabéns Campeões!

Não vi!

E ao fim de vários (muitos) anos sem falhar um único jogo do nosso clube, ontem não assisti ao jogo contra o Penafiel.
Achei que depois de tantas e tantas vezes em que fiz a minha família abdicar de muitas coisas, de sair de celebrações de amigos ainda antes de lhes cantar os parabéns, porque o meu clube ia jogar, de tudo fazer para os ir ver jogar, ontem o meu clube não merecia que eu fizesse esse sacrifício.
A minha mulher e filha quiseram ir ao Sr de Matosinhos, a convite de um grande amigo e eu lá fui, portanto não poderei falar do jogo.
Depois do jogo do Restelo em que os jogadores demonstraram uma falta de profissionalismo atroz. Depois de no mesmo jogo ver o Antero Henriques no banco agarrado ao telemóvel, completamente alheado do jogo, depois de ver a voz da Direção personificada na publicação Dragões Diário a dizer mal de uma ação muito bem conseguida por parte das claques, achei que eles não mereciam que voltasse a privar a minha família de uma noite bem passada.
Do que li posteriormente foi mais um jogo feio onde os pontos altos, foram as tarjas exibidas pelas claques ao longo do jogo. Foi um protesto silencioso mas muito bem conseguido na minha opinião.
Só tenho pena que Danilo não tivesse a despedida merecida. Tudo o resto foi muito bem feito pela claque.
Agora é esperar que a SAD tenha assimilado e surja mais revigorada que nunca para a próxima época (duvido muito) e regressemos já em 2015/2016 aos sucessos (dois anos sem nada ganhar é demais para nós).

Foi há doze anos!

Faz hoje 12 anos que escrevemos uma das mais belas páginas do livro de ouro das nossas conquistas.

Foi em 21/05/2003 que com José Mourinho ao leme do FC Porto vencemos na final de Sevilha o Celtic de Glasgow por 3-2.

Derlei, o “Ninja” foi o herói do jogo ao marcar dois golos selando uma caminhada brilhante que teve como um dos pontos altos a vitória no estádio das Antas (saudades) frente à Lázio por 4-1.

Fica também na memória na eliminatória contra o Panathinaikos, nos quartos de final, quando após a derrota caseira contra os gregos nas Antas, Mourinho virou-se para os adeptos a pedir para terem calma que a eliminatória ainda não tinha acabado. E o certo é que viramos mesmo a eliminatória na Grécia, com um ambiente completamente adverso.

Para mim foi a caminhada que mais me empolgou na Europa.

TRABALHEM! TRABALHEM!

pas e picaretas

“- Trabalhem! Trabalhem!”

Foi com estas palavras de ordem e com a oferta de pás e picaretas que o plantel do FC Porto foi recebido esta manhã no Olival.

Sinceramente adorei a iniciativa. Num grupo de jogadores principescamente pago não pode haver a falta de ambição que temos visto. Os adeptos merecem muito mais respeito.

O que aconteceu no Restelo foi uma vergonha e já que a direção nada faz para os punir pela falta de ambição (aliás ontem vi uma imagem em que Antero Henriques após o golo sofrido em Belém estava agarrado ao telemóvel, completamente desligado do jogo), haja adeptos que demonstrem o descontentamento perante tanta falta de querer.

Não sei de quem foi a iniciativa, mas aplaudo-a de pé.

“A Recusação” (ou como me recuso a aceitar a benfiquização do meu clube)

Nasci em 83 e portanto a minha primeira recordação futebolística ‘a sério’ leva-me ao bicampeonato de 93 com o Porto a ser comandado por um brasileiro calmo, elegante e bem falante. Daí para cá já toda a gente sabe o que vem acontecendo. O meu clube ganhou muito, muitas vezes.

E ganhou porque era melhor, muito melhor que uns e outros. Comparando os planteis e treinadores que o Porto vem tendo com os planteis dos nossos adversários só alguém muito pouco inteligente pode negar tamanha evidência. Com a excepção do absurdo triénio de 2000-2002 dos Pandurus, Chippos, Quintanas, Kraljs, Cajus, Alessandros e Pavlins, e do surreal ano de 2014 com Licás, Josués, Abdoulayes, sempre tivemos melhores equipas que os outros. Sempre. Até mesmo em 2013.

Quando uns alinhavam com Patacas, Quim Berto, Quiroga, Kutuzov, Romagnoli, Tiuí, Xandão ou Wolfswinkel e outros jogavam com Tahar, Pringle, Scott Minto, Moretto, Karyaka, Binya, Yebda ou Makukula nós jogávamos com Jorge Costa, Aloísio, Capucho, Jardel, Drulovic, Deco, Ricardo Carvalho, Lucho ou Lisandro. Mesmo quando do outro lado havia Di Maria, David Luiz, Saviola, Aimar, Matic ou Enzo nós tínhamos Hulk, Falcao, James, Moutinho, Fernando e Jackson.

Desde o campeonato que JVP e Jardel ganharam para o Sporting que Porto e Benfica dominam todos os aspectos do futebol em Portugal. Dominam no campo, nas comissões de arbitragem, nos conselhos de justiça, nos empresários, nos fundos, nas tv’s e nos jornais. O poder está dividido, portanto no final só chega em 1º quem se preparar melhor, quem tiver a melhor equipa, mas principalmente quem quiser mais. Quem tiver mais vontade de ser 1º.

Não me esqueço que em 2005 houve um jogo decisivo no Algarve e que o campeão jogava mal e acabou só com 65 pontos, mas nós perdemos mais de 20 pontos em casa. E tínhamos Diego, Luis Fabiano, Maniche, Derlei, Costinha e Quaresma. Ganhamos uma Supertaça e uma Intercontinental. Não merecemos nem fizemos por ganhar mais nada. Não me esqueço que em 2010 um túnel nos tirou o nosso jogador mais decisivo por 4 meses. Ainda assim lutamos, mas eles foram melhores, mereceram ganhar.

Não me vou esquecer da época que agora acaba. Não me esqueço que houve golos mal anulados, houve vitórias com golos fora de jogo, houve um festival de cartões vermelhos que só acabou quando um jornal estrangeiro fez disso notícia ou nomeações de árbitros de puro gozo. Sim, houve isso tudo pra eles. Mas pra nós também houve. Houve Paços de Ferreira, Penafiel por exemplo.

Entrei na onda do ‘colinho’ até Março. Até ao jogo na Madeira com o Nacional. Depois desse jogo ficou mais que claro para mim que a minha equipa não merecia ganhar e pior que isso, não queria ganhar. O que aconteceu na Luz foi a confirmação disso mesmo. O jogo de ontem foi apenas deboche.

Justificar o 2º lugar neste campeonato com o ‘colinho’ é benfiquizar o nosso clube. Seria fazer como eles fazem ano após ano com a história da fruta e do apito dourado e dos 30 anos de corrupção. Recuso-me a fazê-lo.