“A Recusação” (ou como me recuso a aceitar a benfiquização do meu clube)

Nasci em 83 e portanto a minha primeira recordação futebolística ‘a sério’ leva-me ao bicampeonato de 93 com o Porto a ser comandado por um brasileiro calmo, elegante e bem falante. Daí para cá já toda a gente sabe o que vem acontecendo. O meu clube ganhou muito, muitas vezes.

E ganhou porque era melhor, muito melhor que uns e outros. Comparando os planteis e treinadores que o Porto vem tendo com os planteis dos nossos adversários só alguém muito pouco inteligente pode negar tamanha evidência. Com a excepção do absurdo triénio de 2000-2002 dos Pandurus, Chippos, Quintanas, Kraljs, Cajus, Alessandros e Pavlins, e do surreal ano de 2014 com Licás, Josués, Abdoulayes, sempre tivemos melhores equipas que os outros. Sempre. Até mesmo em 2013.

Quando uns alinhavam com Patacas, Quim Berto, Quiroga, Kutuzov, Romagnoli, Tiuí, Xandão ou Wolfswinkel e outros jogavam com Tahar, Pringle, Scott Minto, Moretto, Karyaka, Binya, Yebda ou Makukula nós jogávamos com Jorge Costa, Aloísio, Capucho, Jardel, Drulovic, Deco, Ricardo Carvalho, Lucho ou Lisandro. Mesmo quando do outro lado havia Di Maria, David Luiz, Saviola, Aimar, Matic ou Enzo nós tínhamos Hulk, Falcao, James, Moutinho, Fernando e Jackson.

Desde o campeonato que JVP e Jardel ganharam para o Sporting que Porto e Benfica dominam todos os aspectos do futebol em Portugal. Dominam no campo, nas comissões de arbitragem, nos conselhos de justiça, nos empresários, nos fundos, nas tv’s e nos jornais. O poder está dividido, portanto no final só chega em 1º quem se preparar melhor, quem tiver a melhor equipa, mas principalmente quem quiser mais. Quem tiver mais vontade de ser 1º.

Não me esqueço que em 2005 houve um jogo decisivo no Algarve e que o campeão jogava mal e acabou só com 65 pontos, mas nós perdemos mais de 20 pontos em casa. E tínhamos Diego, Luis Fabiano, Maniche, Derlei, Costinha e Quaresma. Ganhamos uma Supertaça e uma Intercontinental. Não merecemos nem fizemos por ganhar mais nada. Não me esqueço que em 2010 um túnel nos tirou o nosso jogador mais decisivo por 4 meses. Ainda assim lutamos, mas eles foram melhores, mereceram ganhar.

Não me vou esquecer da época que agora acaba. Não me esqueço que houve golos mal anulados, houve vitórias com golos fora de jogo, houve um festival de cartões vermelhos que só acabou quando um jornal estrangeiro fez disso notícia ou nomeações de árbitros de puro gozo. Sim, houve isso tudo pra eles. Mas pra nós também houve. Houve Paços de Ferreira, Penafiel por exemplo.

Entrei na onda do ‘colinho’ até Março. Até ao jogo na Madeira com o Nacional. Depois desse jogo ficou mais que claro para mim que a minha equipa não merecia ganhar e pior que isso, não queria ganhar. O que aconteceu na Luz foi a confirmação disso mesmo. O jogo de ontem foi apenas deboche.

Justificar o 2º lugar neste campeonato com o ‘colinho’ é benfiquizar o nosso clube. Seria fazer como eles fazem ano após ano com a história da fruta e do apito dourado e dos 30 anos de corrupção. Recuso-me a fazê-lo.

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